By: Faz Mossa
Maio 8, 2024

O que é ser criativo

Opinião de um recém chegado ao mercado de trabalho

Sempre que digo o que faço à minha mãe sinto que me vai perguntar o mesmo daqui a 2 meses por ser algo tão abstrato e pouco palpável.

Sei também que, se explicar o que faço a amigos meus que não estejam familiarizados com a área, muito provavelmente serei motivo de chacota na próxima jantarada… “Então? Estiveste um mês de trabalho para dar canetas num festival?”. Qualquer coisa do género.

Mas o que é ser criativo, para além de um adjectivo pouco humilde quando somos nós próprios a identificar-mo-nos como tal?

Eu cheguei ao mercado de trabalho um pouco insatisfeito com o que vi, no que toca aos formalismos, corporativismos e burocracias todas que são precisos para desempenhar um trabalho em marketing. Não sabia que havia um outro lado em que era possível ser pago para ter ideias. Mas é!

Aprendi que, para ser Criativo como profissional, é preciso estar aberto emocionalmente a estímulos. Querer conhecer, experenciar e correr atrás de ambientes novos. No fundo, deixar ser inspirado e refletir sobre o assunto.

Um bom criativo sabe construir uma resposta inteligente com muita coisa que já foi inventada e testada anteriormente, mas adaptado a um briefing, budget, estratégia de marca e uma equipa. Jogar com estas variáveis limita sempre uma proposta, mas o desafio criativo está aí e é interessante. Se não houvessem essas limitações, talvez teriamos 50 indivíduos a fazer queda livre da estratosfera em live-stream para dar brindes a fãs no Rock in Rio. Não é fazível.

Por isso, um dos nossos maiores desafios é de facto conseguir ser criativo dentro da arena do possível. Ideias boas que não são exequíveis estão a ganhar pó nas gavetas dos decisores. As condicionantes de produção, sobretudo numa área como a Activação de Marca, onde eu trabalho, são precisamente os desafios que a criatividade tem de conseguir resolver.

Este ramo tem vantagens e desvantagens. Como tudo. Às vezes pode ser frustrante, porque as ideias não vêm quando nos apetece e muitas vezes temos deadlines a cumprir.

Sentimos que passamos um dia a tentar “expelir” uma ideia fixe, já são 18h e não produzimos grande coisa… ou um dia inteiro só para sacar um naming fixe e depois perceber que a concorrência encontrou um caminho bem melhor que o nosso. É por isso que lutar contra a frustração, o “imposter syndrome” e a falta de confiança é uma constante na vida de um criativo. E porque todos temos fases menos inspiradas, gostava de terminar partilhando aquilo que já consegui aprender desta área.

  1. Ouvir os mais experientes do meio e perceber como trabalham, como pesquisam e como é que eles abordariam um problema. (Grande obrigado ao André Mateus pelo meu progresso nesse aspeto)
  2. Poder do research como forma de desbloquear caminhos. Ver o que a marca fez, o seu universo de ações, comunicação, concorrência, acompanhar tendências e novidade do que se faz lá fora.
  3. Ler, ouvir música nova, ver filmes que não vimos antes, ir a festivais ver coisas novas. Estímular a novidade.
  4. Trabalho colaborativo. Ideias são sempre mais fortes quando trabalhadas em formato de co-criação.
  5. Desligar e fazer um hobby. Fechar a loja e voltar mais forte amanhã. (No meu caso o surf / bodyboard funciona muito bem. “Limpa” a alma.)

Como conclusão, acredito que a criatividade é uma característica que nasce com o indivíduo. E como tudo, é treinável e possível de melhorar. Não é nenhum dom. O ser humano é naturalmente criativo e atualmente temos mesmo muitas ferramentas à mão para desenvolver esta característica que tão bem nos define. Por isso, já sabes: bons treinos! O que quer que seja que isso signifique para ti.

Guilherme Dias,

Criativo na FAZ MOSSA.

Share this article:

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *